Por Wanglézio Braga
A possível exigência de percentual mínimo de cacau em produtos derivados como o chocolate, aprovada recentemente pelo Senado Federal, pode abrir novas oportunidades para a cadeia produtiva no Acre. Em entrevista ao Portal Acre Mais, o engenheiro agrônomo Marcos Rocha, coordenador do programa estadual do cacau na Seagri, avalia que a medida tende a gerar impacto positivo imediato, ampliando a demanda por amêndoas de qualidade em todo o país.
Segundo ele, o reflexo deve atingir diretamente estados produtores da Amazônia, como Pará, Rondônia e o próprio Acre, além de regiões tradicionais como Bahia e Espírito Santo. “Se essa medida for sancionada, haverá um impacto nacional e regional, com aumento da demanda por amêndoas de qualidade. Isso pode fortalecer a produção familiar, gerar renda e melhorar a qualidade de vida no campo”, afirmou. Ele também destacou que o Brasil ainda depende da importação de cacau, principalmente da África, o que abre espaço para expansão da produção interna.

O coordenador ressaltou que o Acre já vem estruturando a cadeia produtiva por meio do Programa Cacau Socioambiental Sustentável e da iniciativa Rota do Cacau, que incentivam o cultivo em sistemas agroflorestais. “O cacau permite recuperar áreas degradadas, gerar renda e manter as famílias no campo. É uma cultura que atende ao econômico, ao social e ao ambiental”, explicou. De acordo com ele, a diversificação produtiva é fundamental para fortalecer a agricultura familiar no estado.
Além do aumento da produção, a expectativa é de avanço na industrialização local. Marcos Rocha acredita que a nova legislação pode estimular a instalação de agroindústrias e o beneficiamento do cacau dentro do estado. “A ideia é deixar de vender apenas a amêndoa e passar a comercializar chocolate de qualidade, com identidade amazônica. Isso pode gerar mais valor agregado, fortalecer comunidades tradicionais e impulsionar a economia regional”, destacou, citando iniciativas já em andamento em regiões como Cruzeiro do Sul.
