Por Wanglézio Braga
A atuação do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) voltou a ser alvo de críticas após o cancelamento do concurso de queijo que integraria a programação do Circuito Country de Epitaciolândia. A decisão foi tomada após o órgão exigir o cumprimento integral do Decreto Estadual nº 11.306/2023, inviabilizando a realização de uma atividade considerada simples, tradicional e de forte apelo cultural para a região.
Em nota, a organização do evento lamentou a suspensão e destacou que o concurso é uma vitrine essencial para pequenos produtores. Ainda assim, o rigor técnico exigido foi apontado como desproporcional à realidade local. Na prática, o que seria uma celebração da produção artesanal acabou barrado por uma burocracia que ignora o contexto dos produtores rurais e a natureza comunitária do evento.
A decisão expõe um problema recorrente no Acre: o excesso de formalidades impostas por órgãos de controle que, em vez de fomentar, acabam sufocando iniciativas regionais. Ao aplicar regras rígidas sem qualquer flexibilização ou política de transição, o IDAF não apenas inviabiliza eventos, mas também desestimula a produção artesanal e enfraquece tradições que fazem parte da identidade cultural do estado.
Para produtores e organizadores, o resultado é claro: menos oportunidades, menos renda e menos cultura. A burocracia, nesse caso, não protege — ela afasta, desmotiva e empobrece. Sem diálogo e sem soluções adaptadas à realidade local, o risco é ver eventos tradicionais desaparecerem, levando junto parte da economia e da cultura do interior acreano.
De pronto, a organização do Circuito lamentou em publicação realizada hoje (20) nas redes sociais. “A organização lamenta profundamente o cancelamento, por considerar que iniciativas como estas são fundamentais para dar visibilidade, valorizar a produção artesanal e fortalecer o pequeno produtor rural da nossa região. Reforçamos nosso compromisso com os produtores locais e seguiremos trabalhando para adequar futuras edições às normas vigentes, garantindo que a atividade retorne com segurança jurídica e sanitária para todos os participantes”, disse em nota.
