Por Wanglézio Braga
A conquista da Indicação Geográfica (IG) para o café do Acre começou a ganhar forma e pode representar um novo capítulo para a cafeicultura do estado. Durante o 2º Seminário Estadual da Cafeicultura Acreana, realizado nesta quarta-feira (22), em Rio Branco, o chefe-geral da Embrapa Acre, Bruno Pena, confirmou que as instituições parceiras já iniciaram o planejamento para buscar o selo, que reconhece produtos com características únicas ligadas ao seu território de origem.
Segundo Bruno Pena, a Indicação Geográfica funciona como uma identidade oficial do café acreano, reconhecendo que fatores como clima, solo, sistema de produção e os materiais genéticos utilizados conferem características próprias ao produto. O trabalho será desenvolvido em parceria entre Embrapa, Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Sebrae, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e outras instituições, com o objetivo de agregar valor ao café produzido no estado e ampliar sua competitividade.
Embora o processo de obtenção do selo exija estudos técnicos e uma série de etapas junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o pesquisador afirma que o Acre larga na frente. De acordo com ele, boa parte das informações necessárias já foi produzida pela Embrapa, incluindo estudos climáticos, zoneamento agrícola e diagnósticos sobre o sistema de produção da cafeicultura acreana. Com isso, a expectativa é de que os próximos anos sejam dedicados aos ajustes finais e à consolidação da documentação necessária.
Além de fortalecer a identidade do produto, Bruno Pena acredita que a Indicação Geográfica poderá abrir novas oportunidades de mercado. Embora o café acreano já alcance compradores em alguns países, o selo tende a aumentar a credibilidade do produto, facilitar o acesso a mercados mais exigentes e valorizar ainda mais a produção local, impulsionando a renda dos cafeicultores e a imagem do Acre no cenário nacional e internacional.
