Nomeação de Marfiza para o MAPA expõe risco de nova gestão política em órgão estratégico para o agro acreano

Por Wanglézio Braga

A escolha de Marfiza Galvão, esposa do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), para comandar a Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária no Acre reacende uma discussão que o setor produtivo não deveria precisar repetir: a representação estadual do Ministério da Agricultura precisa de articulação política ou de capacidade técnica para responder às demandas de quem trabalha no campo? Oficializada nesta quarta-feira (4), por meio da Portaria do MAPA, a nomeação substitui a expectativa de uma gestão voltada à recuperação do órgão por mais uma escolha que carrega forte marca política.

A preocupação não surge do nada. A passagem do advogado Paulo Trindade pela superintendência foi marcada, segundo relatos recebidos pelo Portal Acre Mais, por reclamações de produtores e profissionais que dependem dos serviços do órgão. Entre os problemas apontados está a falta de médico-veterinário para analisar e liberar processos que exigem a atuação desse profissional. Também foram relatadas dificuldades na estrutura física da sede, em Rio Branco, ao lado do Parque de Exposições Wildy Viana. Servidores teriam precisado assumir tarefas de limpeza diante da ausência de trabalhadores terceirizados. A situação exige explicações da administração federal, sobretudo porque a superintendência tem atribuições diretamente ligadas à defesa agropecuária e ao atendimento do setor produtivo.

Enquanto essas demandas aguardavam solução, ganhou espaço o discurso de que a abertura do mercado acreano para a entrada de morangos do Peru seria um avanço relevante para o estado. A discussão sobre comércio e abastecimento é legítima, mas não pode ocupar o lugar de problemas básicos que afetam o funcionamento da instituição. Para o produtor que espera um documento, uma análise veterinária ou orientação técnica, a prioridade não é uma promessa de mercado: é encontrar um órgão estruturado e capaz de prestar o serviço. A isso se soma o relato de que parte do muro da repartição teria sido aberta para a passagem de máquinas destinadas a uma solenidade, situação que, se confirmada, levanta questionamentos sobre a segurança do patrimônio público.

Marfiza assume em um momento em que a agricultura acreana precisa de respostas, não de mais um ciclo de acomodação política. Sua experiência anterior como vice-prefeita de Rio Branco não elimina, por si só, sua capacidade de exercer a função, mas também não responde à principal dúvida: qual é o preparo técnico e administrativo para conduzir uma estrutura federal com responsabilidades tão específicas? Em declaração após a nomeação, ela afirmou que pretende aproximar as ações do governo federal das necessidades do setor produtivo. Essa intenção precisa sair do discurso. A superintendência não pode ser tratada como espaço de influência partidária; é um órgão público que deve servir à agricultura e à pecuária do estado.

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