No Dia do Trabalhador, peão relembra 19 anos dedicados à vida rural

Por Wanglézio Braga

Enquanto muitos acordavam nesta manhã de 1º de maio pensando no feriado, o peão Oelson Oliveira já estava de pé, com as botas marcadas pela poeira da fazenda e o olhar acostumado à lida pesada do campo. Aos 19 anos de profissão, ele representa uma figura silenciosa, mas essencial para o funcionamento das fazendas acreanas. Neste Dia do Trabalhador, o Portal Acre Mais presta homenagem aos homens e mulheres que vivem entre o curral, o pasto e a fazenda, muitas vezes sem o reconhecimento que merecem.

Atualmente trabalhando em uma fazenda no município de Bujari, Oelson conta que começou cedo na atividade, ainda aos 13 anos. O amor pelo gado nasceu na infância, no convívio com a família da colônia em Sena Madureira. “Desde criança eu era apaixonado por mexer com gado. Recebi uma oportunidade e até hoje estou nessa lida”, resume. Entre manejar o rebanho, cuidar da maternidade do gado, reformar cercas e acompanhar o pasto, ele diz se considerar ao mesmo tempo vaqueiro e peão. “Os dois. Tudo faz parte”.

Oelson Oliveira ao lado de um dos filhos

Apesar da paixão pela profissão, Oelson acredita que os trabalhadores do campo ainda são pouco valorizados. Segundo ele, faltam melhores salários e mais reconhecimento para quem dedica a vida inteira ao serviço pesado nas fazendas. “Nós tínhamos que ser mais valorizados. Ganhar melhor pelo ramo que convivemos”, afirma. Mesmo sem reclamar da rotina, ele observa que muitos colegas acabam envelhecendo sem estabilidade, sendo dispensados depois de décadas de trabalho e sem ter sequer uma casa própria para morar.

Entre uma fala e outra, o peão também desmonta a imagem de que a vida no campo é apenas solidão. Ele conta que os rodeios, festas e encontros fazem parte da cultura do vaqueiro, principalmente na juventude. Mas ressalta que sempre procurou manter a responsabilidade acima de tudo. Pai de dois filhos, Hércules, de 9 anos, e Luiz Guilherme, de 7, ele diz desejar um futuro diferente para as crianças. “Não é uma profissão ruim, mas eu aconselho que eles estudem e procurem algo mais tranquilo.” Ainda assim, sorri ao admitir que o filho mais velho já demonstra gostar da lida com o gado.

Ao longo da vida, Oelson percorreu diversas regiões do Acre trabalhando em fazendas, passando por Boca do Acre, Acrelândia e outras localidades. Sonhou em deixar o estado e seguir para Goiânia, mas os planos mudaram no caminho. Hoje, mais experiente, pensa no futuro com cautela. Quer envelhecer com dignidade, conquistar estabilidade e evitar o destino de muitos peões que viu perderem tudo depois de anos de serviço. “Já comprei minha casinha. Se eu sair daqui hoje, tenho pra onde ir”, conta, aliviado.

No Dia do Trabalhador, histórias como a de Oelson lembram que o agronegócio não se sustenta apenas pelos números ou pelas grandes produções. Existe um Brasil, um Acre, profundo sustentado por homens que acordam cedo, enfrentam chuva, sol e distância, e seguem tocando o gado com a mesma coragem de quem aprendeu, ainda menino, que o campo também é uma forma de vida.

“Nós tínhamos que ser mais valorizados”, diz peão com 19 anos de estrada no Acre

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