Por Wanglézio Braga

Há profissões que nascem de um planejamento. Outras surgem de uma conversa entre amigos, de uma curiosidade ou até mesmo de uma brincadeira. Foi exatamente assim que começou a trajetória de Cláudio Silva, de Rio Branco. Hoje, aos 28 anos, ele é conhecido no meio country acreano como modelador de chapéus e responsável pela CS Hats, serviço que ganhou espaço entre competidores, amantes do rodeio e clientes de diferentes estados da Amazônia. O que começou como uma brincadeira há cinco anos se transformou em profissão e fonte de renda para um jovem acreano apaixonado pela cultura country.
Antes de trabalhar com chapéus, Cláudio viveu de perto a rotina das arenas. Foi peão de rodeio e percorreu estradas em busca das competições. Quando decidiu deixar as montarias apenas para os momentos de lazer, encontrou uma maneira de continuar ligado ao universo que sempre fez parte da sua vida. Entre modelagens, limpezas e restaurações, ele passou a dar nova forma a um dos principais símbolos da identidade cowboy. O trabalho o levou para diferentes municípios do Acre, além de Rondônia e Amazonas, atendendo clientes em festas, exposições agropecuárias e rodeios.
Durante a temporada de eventos, Cláudio chega a trabalhar em cerca de 100 chapéus. O crescimento foi tão grande que ele já perdeu a conta de quantas peças passaram por suas mãos. Em um mercado que ainda está em expansão no Acre, ele também encontrou espaço para compartilhar conhecimento. Amigos interessados em aprender a profissão recebem orientações e dicas de quem conhece o ofício na prática.
Apesar do reconhecimento conquistado ao longo dos anos e dos contatos feitos pelo caminho, Cláudio faz questão de lembrar daqueles que acreditaram nele quando tudo ainda era incerto. Entre eles está o amigo Ivo Dias, que o incentivou a seguir em frente quando a atividade ainda parecia apenas um passatempo.
Para quem deseja ingressar na área, ele resume a principal lição aprendida ao longo da caminhada: “A humildade abre portas. Se eu cheguei até aqui foi porque encontrei pessoas dispostas a ensinar e também procurei aprender. Hoje, se alguém quiser começar, pode chegar e perguntar. Ninguém cresce sozinho. O chapéu me manteve perto do rodeio, dos amigos e de uma cultura que faz parte da minha história”, destacou.

