Agrônomo Marcos Santana explica evolução dos Robustas Amazônicos: “É um café adaptado à nossa região”

Por Wanglézio Braga

O café Robustas Amazônicos é resultado de um processo de seleção de plantas que ocorreu ao longo de décadas em Rondônia, a partir do encontro de materiais trazidos por agricultores que migraram do Sul e Sudeste do país, na década de 1970, com variedades introduzidas por instituições de pesquisa. A explicação é do agrônomo Marcos Santana, da empresa Raiz do Norte, em questionamento do Portal Acre Mais. Ele acrescenta sobre o histórico que agricultores levaram para o estado materiais de café cultivados por sementes, enquanto a Embrapa Rondônia também introduziu materiais robustas provenientes do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em São Paulo.

De acordo com Santana, essas plantas passaram por um longo processo de adaptação e seleção até chegar ao que conhecemos nas lavouras aqui no Acre. Há mais de 30 anos, produtores e pesquisadores vêm observando o comportamento dos materiais nas condições da Amazônia, selecionando aqueles que apresentam melhor desempenho. O trabalho também envolve pesquisas realizadas dentro das propriedades rurais e pela Embrapa, com o objetivo de desenvolver materiais mais resilientes às variações climáticas.

Marcos Santana em entrevista ao Portal Acre Mais

Sobre clones, para o produtor, Santana diz que “conhecer as características de cada clone pode facilitar as decisões antes e durante a implantação da lavoura”. Conforme explica o agrônomo, quem pretende produzir cafés especiais pode escolher materiais com maior potencial para bebidas de qualidade, enquanto produtores interessados em mecanização podem buscar clones com arquitetura de planta mais adequada à colheita mecanizada. A identificação das características de cada clone permite planejar a lavoura de acordo com o mercado que o produtor pretende alcançar, desde a produção em escala até nichos de cafés de maior valor agregado. “Essas plantas agregam várias características positivas, como produtividade, resistência ao ataque de pragas e doenças, potencial produtivo e perfil sensorial para a qualidade da bebida”, explicou.

O que ganha um produtor investir nos Robustas Amazônicos? “O produtor ganha previsibilidade, conhecendo as características de cada clone que cultiva, ganha produtividade e ganha sustentabilidade no planejamento da lavoura”, afirmou o agrônomo.

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