Por Wanglézio Braga
A Expo Capixaba 2026 foi anunciada como uma novidade para o município, mas terminou deixando uma pergunta incômoda: afinal, onde esteve a exposição? Quem foi ao evento encontrou uma programação sem animais expostos, sem uma mostra significativa da agricultura familiar e sem espaço capaz de apresentar ao público a produção do agronegócio de Capixaba. Um município que produz maracujá, mandioca, mamão, soja e milho e possui uma pecuária forte poderia ter usado a feira para mostrar sua produção, mas esse potencial praticamente não apareceu na programação.
A falha não ficou restrita à ausência de uma exposição agropecuária. Houve atrasos nas atividades esportivas e também na programação cultural, enquanto o espaço dava destaque a pelo menos sete bares e a uma praça de alimentação que, em grande parte, recebeu empreendedores da economia solidária de Rio Branco e Senador Guiomard. Não há problema em receber comerciantes de outros municípios, mas a pergunta que fica para a gestão é simples: onde estavam os produtores, criadores, agricultores e pequenos empreendedores de Capixaba? Se a feira deveria valorizar o município, eles deveriam estar no centro da programação, não à margem dela.

O rodeio, que reuniu competidores e público, acabou funcionando como o principal sustentáculo da festa. Sem ele, a impressão deixada por boa parte da estrutura era a de um grande arraial com praça de alimentação, bebidas e atrações, e não de uma exposição capaz de apresentar a economia de um município essencialmente ligado ao campo. A gestão municipal precisa entender que organizar uma feira não é apenas contratar atrações, influenciadores digitais para falar bem e montar uma estrutura física. É necessário planejamento, curadoria e, principalmente, conhecimento sobre aquilo que se pretende expor. Não se constrói uma Expo apenas com entretenimento; é preciso colocar o produtor no palco e a produção do município diante do público.
Capixaba não sofre de falta de produção para apresentar, sofre, neste caso, de falta de iniciativa para apresentá-la. E essa responsabilidade é de quem organiza e administra o evento: A Prefeitura de Capixaba, a gestão Manoel Maia. Se a gestão quer transformar a Expo Capixaba em uma referência regional, precisa começar pelo básico: ouvir produtores, criadores, agricultores familiares e empresários locais e construir uma programação que tenha identidade com a cidade. Caso contrário, fica difícil sustentar o discurso de “inédito” e “diferente” quando o evento não conseguiu mostrar aquilo que Capixaba tem de mais valioso: quem produz, cria e trabalha no próprio município.
