Por Wanglézio Braga
A safra de mel de 2026 não trouxe boas notícias para os apicultores de Bujari, no interior do Acre. A produção caiu cerca de 20% em comparação com o ano passado, reflexo, segundo um dos produtores, das mudanças no comportamento do clima e da redução das chuvas na região. A situação preocupa quem depende da atividade como principal fonte de renda e já sente os efeitos da menor disponibilidade de alimento para as abelhas.

Há 14 anos na apicultura, o produtor Carlos Cesar afirma que a safra de 2025 foi mais favorável por causa das condições climáticas. Neste ano, no entanto, a escassez de água atrasou a florada de diversas espécies, reduzindo a oferta de néctar para as abelhas italianas, conhecidas por possuírem ferrão. O atraso da florada e a falta de chuvas constantes reduziram significativamente a produção de mel no município, comprometendo diretamente o rendimento dos apicultores.
Para Carlos Cesar, os desafios enfrentados pela atividade vão além das condições naturais de um período de estiagem. Ele acredita que fatores como o desmatamento também contribuem para o desequilíbrio ambiental observado nos últimos anos. Segundo o produtor, as mudanças climáticas e a degradação ambiental estão afetando toda a cadeia produtiva do mel no Acre, cenário que, segundo ele, é percebido por diversos apicultores da região. O baixo nível dos rios, acrescenta, é mais um indicativo das transformações ambientais que vêm ocorrendo.
Mesmo diante das dificuldades, Carlos Cesar continua apostando na atividade que sustenta sua família há mais de uma década. Para ele, fortalecer a fiscalização ambiental e preservar as áreas de vegetação são caminhos importantes para ajudar na recuperação do equilíbrio climático. “Se as abelhas não produzem, não tem mel e, sem mel, não tem renda”, resume o apicultor, em um relato que traduz a preocupação de muitos produtores acreanos que esperam por dias melhores para a apicultura.
