Pesquisador chinês defende políticas públicas para preservar plantas medicinais e quintais tradicionais no Acre

Por Wanglézio Braga

O engenheiro agrônomo Dr. Lin Chau Ming defendeu a valorização das plantas medicinais e da agrobiodiversidade como parte da promoção da qualidade de vida na Amazônia. O tema foi abordado nesta segunda-feira (19), durante a 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus realizada na UFAC. Segundo o pesquisador, a diversidade vegetal da região contribui para a alimentação, a saúde e o meio ambiente. “A qualidade de vida envolve também a alimentação, envolve as condições de saúde, envolve as questões ambientais, mas plantas medicinais necessariamente também estão ali dentro”, afirmou.

Ao falar sobre o potencial do Acre, Lin Chau Ming destacou que o conhecimento sobre as espécies vegetais foi construído ao longo de gerações por povos originários, seringueiros e outras comunidades amazônicas. O pesquisador também ressaltou a importância de reconhecer a contribuição desses grupos para a preservação dos saberes tradicionais. Um de seus livros sobre o Acre, por exemplo, foi escrito em coautoria com dois seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, cujos conhecimentos sobre o uso das plantas da região foram incorporados à publicação. “Procurei valorizar os conhecimentos que as comunidades de seringueiros tinham sobre o uso de plantas daquela região”, explicou.

Pesquisador propõe hortas urbanas para preservar plantas medicinais e conhecimentos tradicionais no Acre

Questionado pelo Portal Acre Mais sobre a redução dos quintais tradicionais nas cidades, que cada vez mais são substituídos por prédios, construções e áreas cimentadas, o pesquisador disse que com terrenos menores, muitas famílias perderam espaço para cultivar plantas medicinais, hortaliças e outras espécies utilizadas no cotidiano. Para reverter esse cenário, ele defendeu políticas públicas que incentivem hortas domésticas e a criação de áreas coletivas de cultivo em espaços públicos. “Infelizmente, todo o processo de urbanização tem feito com que os lotes atuais sejam menores e também a destruição dos antigos quintais por prédios, por parte cimentada”, observou.

Para Lin Chau Ming, a preservação desses espaços precisa entrar no planejamento urbano, tanto para ampliar as possibilidades de cultivo quanto para manter vivos conhecimentos transmitidos entre gerações. O pesquisador avalia que hortas domésticas e comunitárias podem ajudar a recuperar uma tradição que vem perdendo espaço nas cidades amazônicas. “A política pública de hortas domésticas, eu acho que ela é um bom incentivo para que isso possa ser retomado”, concluiu.

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