Por Wanglézio Braga *
A pergunta estampada na chamada de uma recente reportagem — “Mais Máquinas?” — parece querer despertar no leitor uma dúvida sobre a decisão da Prefeitura de Epitaciolândia de investir mais de R$ 9,2 milhões na aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. Mas, para quem conhece a realidade, a verdade, do campo acreano, a resposta surge de forma simples e direta: sim, mais máquinas.
Epitaciolândia está localizada em uma região onde o agronegócio e a agricultura familiar movimentam a economia, geram emprego, renda e oportunidades. Em um cenário como esse, ampliar a frota de equipamentos não deve ser visto como gasto, mas como INVESTIMENTO. Tratores, implementos, caminhões e máquinas agrícolas não ficam estacionados em garagens; eles abrem ramais, preparam o solo, auxiliam na produção e ajudam centenas de produtores que muitas vezes não possuem condições financeiras para adquirir ou alugar equipamentos próprios.
Os números apresentados pelo noticioso e replicado por muitos outros mostram contratos que somam mais de R$ 9 milhões. O que talvez não tenha recebido o mesmo destaque é o potencial de retorno desse investimento para o município. Quanto mais estrutura o poder público disponibiliza ao produtor rural, maior tende a ser a produção, a geração de riqueza e a arrecadação futura. Em um estado que ainda enfrenta limitações históricas de infraestrutura no campo, possuir uma frota moderna e eficiente deveria ser motivo de reconhecimento, e não de estranheza.
A gestão do prefeito Sérgio Mesquita demonstra, com essa iniciativa, que compreende a vocação econômica de Epitaciolândia e do Alto Acre. Enquanto muitos municípios enfrentam dificuldades para manter equipamentos em funcionamento, a administração municipal opta por ampliar sua capacidade de atendimento ao setor produtivo. Naturalmente, como todo investimento público, a aplicação dos recursos deve ser acompanhada pela sociedade e pelos órgãos de controle. Mas questionar a necessidade de mais máquinas em uma cidade cuja força econômica está justamente no campo parece ignorar a realidade de quem produz. Se o objetivo é fortalecer a agricultura e o agronegócio, que venham mais investimentos, mais equipamentos e mais condições para que o produtor rural continue fazendo sua parte no desenvolvimento do Acre.
* Wanglézio Braga é jornalista, editor-chefe do Portal Acre Mais.
