Por Wanglézio Braga
O discurso de valorização da produção acreana pode esbarrar em uma exigência prevista em um edital de licitação do próprio Governo do Acre. A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) abriu o Pregão Eletrônico SRP nº 224/2026 para aquisição de café torrado e moído, mas determinou que o produto seja elaborado com grãos selecionados da variedade arábica, espécie que não é cultivada comercialmente no Acre.
O edital prevê a aquisição imediata de cerca de 6 mil pacotes de 500 gramas, além do registro de preços para até 10 mil unidades. Embora existam produtores que cultivem café arábica em pequena escala, principalmente em municípios do Alto Acre, a produção é pontual e não abastece a indústria local. A cadeia produtiva do estado é baseada no café canéfora (robusta amazônico/conilon), variedade que vem sendo incentivada pelo governo e conquistando reconhecimento nacional pela qualidade dos cafés especiais produzidos no Acre.

A situação chama atenção justamente em um momento em que o próprio governo incentiva a expansão da cafeicultura no Acre, destinando recursos para distribuição de mudas, assistência técnica e fortalecimento da cadeia produtiva. Nos últimos anos, o café acreano conquistou espaço nacional pela qualidade dos grãos canéfora produzidos, especialmente na região do Vale do Juruá. Em tese, o nosso café não fica devendo em nada para os cafés de fora, de outras regiões.
Até o momento, o Pregão Eletrônico SRP nº 224/2026 segue em andamento, segundo o sistema da Secretaria de Licitações que indica que no último dia 7 de julho foi realizada a reabertura da sessão para ciência do parecer técnico das propostas e demais atos do certame.
