EDITORIAL: Brasiléia, 116 anos sendo uma gigante agrícola administrada como cidade anã

Brasiléia chega aos 116 anos carregando uma contradição difícil de explicar. O município que lidera o melhor ambiente de negócios do Acre, segundo um recente levantamento, continua tratando seu maior patrimônio econômico como um assunto secundário: o campo. Enquanto outras regiões enxergam no agronegócio o motor do desenvolvimento, Brasiléia parece insistir em caminhar em marcha lenta, desperdiçando oportunidades que poderiam transformá-la na maior potência agrícola do Alto Acre, do Acre.

Na avaliação de grande parte do setor produtivo, falta visão estratégica à atual administração municipal. A gestão de Carlinhos do Pelado assumiu uma cidade com enorme potencial agropecuário, mas até aqui não conseguiu apresentar um projeto robusto para o desenvolvimento rural. O sentimento entre produtores é de abandono. Estradas vicinais precárias dificultam o escoamento da produção, a assistência técnica continua insuficiente, programas de capacitação praticamente inexistem e a mecanização agrícola ainda está muito distante das necessidades reais das propriedades rurais. A impressão é de que se perdeu tempo demais com estruturas administrativas que pouco entregaram ao produtor que sustenta a economia local.

O cenário não começou agora. Gestões de secretários municipais também falharam em transformar vocação em prosperidade. Mas Carlinhos do Pelado já teve tempo suficiente para apresentar mudanças mais profundas e resultados concretos. O exemplo mais evidente está na cafeicultura. Brasiléia produz alguns dos melhores cafés do Acre e frequentemente aparece entre os primeiros colocados nos concursos estaduais. Mesmo assim, falta incentivo, falta investimento e, principalmente, falta uma política pública capaz de transformar qualidade em renda e crescimento econômico.

Brasiléia se destaca quando o assunto é carnaval fora de época, festas e grandes eventos. Nada contra a cultura e o entretenimento, que movimentam a economia e fazem parte da identidade local. O problema surge quando o agricultor percebe que o apoio recebido pelo campo está longe de receber a mesma prioridade. Aos 116 anos, talvez esteja na hora de o município trocar os projetos políticos por um verdadeiro projeto de cidade. Brasiléia pode muito mais do que é hoje.

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