Por Wanglézio Braga
O departamento boliviano de Pando, na fronteira com o Acre, enfrenta um aumento expressivo de casos de Leishmaniose Tegumentar logo após o fim da safra da castanha. De acordo com o centro de saúde de Cobija, cerca de quatro em cada dez pacientes atendidos com suspeita da doença testam positivo, em um cenário que preocupa autoridades locais, principalmente pela falta de tratamento disponível para todos os infectados.
Em entrevista à Bolívia TV (Regional Pando), a diretora da unidade de saúde, Daniela García, afirmou que há um aumento significativo de notificações nesta época do ano, especialmente entre pessoas que chegam do interior. Segundo ela, a exposição ao mosquito-palha, vetor da doença, está diretamente ligada à rotina de trabalho dos extrativistas durante a coleta da castanha, período em que permanecem em áreas de mata fechada e muitas vezes sem proteção adequada.
A orientação das autoridades de saúde é reforçar medidas preventivas simples, como o uso de repelentes, roupas de manga longa e maior atenção ao retornar de áreas consideradas endêmicas. A diretora também alerta que práticas inadequadas, como o desmatamento, podem agravar o problema ao aproximar o vetor das áreas habitadas, aumentando o risco de transmissão.
