Do corpo editorial do Portal Acre Mais
A Expo Fronteira, realizada de quinta-feira (24) a domingo (27), em Assis Brasil, terminou deixando uma pergunta incômoda para alguns gestores do Acre: afinal, o que significa organizar uma verdadeira feira agropecuária? A resposta esteve em Assis Brasil. Com apenas 8.716 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, o município conseguiu reunir cultura, empreendedorismo, venda de gado, melhoramento genético por comercializar sêmen, palestras, empreendedorismo familiar, shows nacionais, rodeio e, pela primeira vez, provas de esportes equestres. Mais que uma programação de entretenimento, a feira levou dinheiro para o comércio, lotou hotéis, restaurantes e pensões e ainda promoveu uma aproximação concreta com o Peru e a Bolívia.
E aqui está a parte que merece ser dita com clareza: Jerry Correia deu uma aula aos prefeitos Padeiro, de Bujari, e Manoel Maia, de Capixaba, sem precisar dizer uma palavra. Não porque Assis Brasil tenha mais estrutura ou seja maior. É justamente o contrário. Bujari tem 14.076 habitantes e Capixaba, 11.035, ambos acima da população de Assis Brasil, estão mais próximas da capital Rio Branco. Capixaba, inclusive, está entre os municípios de destaque na produção rural do estado. Mas quando uma feira é apresentada como agropecuária, não basta colocar o nome “Expo” no cartaz, contratar rodeio e shows e esperar que o título faça o trabalho sozinho. O campo precisa aparecer, o produtor precisa ser valorizado e aquilo que o município produz precisa estar dentro da feira.
Jerry fez isso. Atraiu pecuaristas de diferentes regiões, abriu espaço para negócios envolvendo genética bovina e levou o agronegócio para o centro da programação. Também não ficou esperando o público chegar: foi a Brasiléia e Epitaciolândia entregar panfletos pessoalmente aos comerciantes e esteve no Peru, em um evento internacional, levando convites aos prefeitos e alcaides do país vizinho. O resultado apareceu durante a Expo Fronteira, com ônibus lotados de peruanos chegando a Assis Brasil. No esporte, ainda criou espaço para a primeira competição equestre da feira e trabalhou para preparar profissionais do próprio município. É gestão entendendo que evento também é ferramenta de desenvolvimento.
A crítica, portanto, é: uma feira que se apresenta como agropecuária precisa ter o agronegócio como parte central de sua identidade. Jerry Correia mostrou isso na prática, com as limitações de um município pequeno, de fronteira e distante dos grandes centros. Aos prefeitos Padeiro e Manoel Maia, a Expo Fronteira deixou uma lição sem discurso e sem palanque: não é preciso ter a maior cidade, o maior orçamento ou a maior estrutura para fazer uma grande feira. É preciso saber o que se quer mostrar. E, em Assis Brasil, o produtor, o gado, a genética, o comércio, a cultura e a fronteira estavam todos ali.

