Por Wanglézio Braga
Um projeto do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Acre (UFAC) apresentou nesta quinta-feira (18) os primeiros resultados técnicos e científicos de uma pesquisa de melhoramento genético da pecuária leiteira no estado. A iniciativa, desenvolvida em parceria com instituições estratégicas do setor agropecuário, busca aumentar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e ampliar a renda das famílias que vivem da atividade no campo.
Coordenador do projeto, professor Eduardo Mitke destacou que a pesquisa ganhou força após a captação de recursos parlamentar no valor de R$ 1 milhão de reais que possibilitou a aquisição de dez vacas doadoras de embriões de alto valor genético, além de equipamentos laboratoriais. Os animais estão alojados na UFAC e serão utilizados em um processo de fertilização in vitro para multiplicação genética. A proposta é produzir embriões de excelência e transferi-los para propriedades selecionadas, permitindo que pequenos produtores tenham acesso a animais que, no mercado, podem custar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. A tecnologia de fertilização in vitro aplicada à pecuária leiteira promete elevar significativamente a produtividade do rebanho acreano.

Segundo Mitke, a seleção das propriedades seguirá critérios técnicos rigorosos. Aspectos como alimentação adequada dos animais, controle sanitário e assistência técnica serão fundamentais para que os produtores possam receber os embriões. O trabalho conta com o apoio de instituições como Sebrae, Embrapa e programas de desenvolvimento da pecuária acreana. A expectativa é que, em até três anos, os primeiros resultados já possam ser observados no campo. A meta é elevar a média de produção leiteira de cerca de 3 litros para até 15 litros por animal, ampliando a rentabilidade das propriedades rurais.
Além do avanço genético, o projeto também incentiva a profissionalização da cadeia produtiva do leite, incluindo a produção de derivados com maior valor agregado, como queijos, manteigas e iogurtes. Para o pesquisador, o sucesso da iniciativa depende da união entre produtores, instituições e pesquisadores. “Pela primeira vez estamos vendo todas as instituições caminhando na mesma direção”, destacou.
