Por Wanglézio Braga / Foto: Reprodução Instagram (Arquivo Pessoal)
Um extrato de Termo de Fomento publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 11 de maio de 2026 levantou questionamentos entre produtores rurais e lideranças ligadas à cafeicultura acreana. O documento oficializa parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Associação dos Produtores de Café do Estado do Acre, sediada em Brasiléia, para a aquisição de equipamentos destinados ao fortalecimento dos agricultores e produtores de café do estado. O valor previsto é de R$ 286,5 mil, sem contrapartida financeira da entidade beneficiada.
Apesar do investimento público, o extrato não detalha quais equipamentos serão adquiridos, quantos produtores serão beneficiados, onde os maquinários serão utilizados e quais critérios serão adotados para o acesso aos bens. O documento informa apenas que os recursos serão transferidos integralmente em 2026, com vigência contratual entre os dias 6 de maio e 6 de novembro deste ano. Assinam o termo Fernando Magalhães, pelo Mapa, e Izabelle Araújo, representante da associação e atualmente vereadora no município de Brasiléia.
Diversos produtores entram em contato com o Portal Acre Mais revelando preocupação com a falta de transparência tanto pelo MAPA quanto pela Associação. Nossa reportagem tentou contato com a convenente, a vereadora Izabelle Araújo, para esclarecer quais máquinas serão compradas e como ocorrerá a distribuição dos benefícios, mas não obteve respostas conclusivas até o momento. O mesmo ocorreu com o MAPA. Enquanto isso, produtores da região afirmam que a ausência de informações mais detalhadas dificulta o acompanhamento social da aplicação dos recursos públicos. A associação beneficiada foi fundada em fevereiro de 2023, o que também levanta debates sobre critérios de seleção, capacidade operacional e transparência na execução do convênio.
De pronto, embora o extrato cumpra formalmente a exigência legal de publicação, a ausência de detalhes técnicos reduz a transparência e dificulta o controle social por parte da população e dos próprios produtores rurais. Em um setor que busca fortalecimento e credibilidade, a clareza sobre destino dos recursos, aquisição de equipamentos e impacto direto aos agricultores é considerada essencial para evitar dúvidas, insegurança e desconfiança entre os beneficiários.

