Por Wanglézio Braga
Enquanto produtores rurais enfrentam lama, isolamento e prejuízos em ramais de Brasiléia, o vereador Almir Andrade (PP) resolveu encontrar um responsável conveniente para a situação: a natureza. Em defesa da gestão do prefeito Carlinhos do Pelado (PP), nesta terça-feira (28), em sessão na Câmara de Vereadores, o parlamentar afirmou que o “inverno amazônico” seria o principal culpado pelos transtornos enfrentados por famílias da zona rural, como se as chuvas no Acre fossem exatamente uma novidade inesperada descoberta apenas em 2026.
O discurso veio acompanhado do anúncio do envio de duas máquinas para o ramal do “Pega Fogo”, tratado quase como uma operação histórica de guerra. Segundo o vereador, a prefeitura “não deixa máquinas na garagem” e estaria fazendo “o possível” para atender os produtores. O problema é que, para muitos moradores, o “possível” parece não estar chegando a tempo. Em vários trechos, a realidade segue sendo de atoleiros, isolamento e abandono.
Neste mês, imagens divulgadas pelo Portal Acre Mais mostraram produtores do ramal do KM 84 da BR-317 recolhendo pedras e restos de cascalho com as próprias mãos para tentar garantir passagem mínima na estrada. Trabalhadores rurais precisaram deixar suas plantações de lado para improvisar serviços que, em tese, deveriam ser executados pelo poder público. Enquanto isso, a justificativa parece resumir tudo a um simples “culpem a chuva”.
A fala do vereador acabou gerando críticas entre moradores da zona rural que acompanharam a sessão pela internet, que questionam a falta de planejamento da gestão municipal diante de um problema recorrente todos os anos. Afinal, se o inverno amazônico sempre chega, o que surpreende parte da população não é a chuva, mas a repetida incapacidade de prevenir o caos nos ramais que sustentam a produção rural de Brasiléia.
