Por Wanglézio Braga
Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura revelam uma forte retração no Valor Bruto da Produção (VBP) do amendoim no Acre nos últimos anos. Em janeiro de 2026, o indicador atingiu R$ 56.688, o menor patamar da série histórica iniciada em 2017, quando o estado registrava R$ 1,12 milhão. O VBP mede quanto dinheiro é gerado “dentro da porteira” pelas atividades agropecuárias ao longo do ano, refletindo diretamente o desempenho produtivo e econômico do setor.

Ao longo da última década, a cultura do amendoim apresentou oscilações significativas no estado, com pico em 2017 e queda contínua a partir de 2019. Em 2024, o VBP já havia recuado para R$ 330 mil, despencando para R$ 120 mil em 2025 e atingindo o atual valor em 2026. A retração indica perda de escala produtiva e menor participação do amendoim na pauta agrícola acreana, pressionando produtores e reduzindo a geração de renda no campo.
O mesmo movimento de queda é observado no Valor Bruto Nacional da Produção Agropecuária do Acre, que passou de R$ 621,7 mil em 2017 para R$ 53,7 mil em 2026. Especialistas apontam que fatores como custos elevados de produção, dificuldade de acesso a crédito, problemas logísticos e instabilidades climáticas têm impactado diretamente a atividade rural no estado. O cenário acende um alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção agrícola local.
Para produtores, os números refletem um momento desafiador, exigindo investimentos em tecnologia, assistência técnica e incentivos governamentais para recuperar a competitividade. A retomada da produção de amendoim é vista como estratégica para diversificar a economia rural, gerar emprego e fortalecer a segurança alimentar, especialmente em regiões onde a cultura sempre teve relevância econômica.

