Por Wanglézio Braga
Os sabores da floresta ganharam forma de doce e colheram curiosidade na Agrotec. Pirulitos feitos com frutas pouco conhecidas até mesmo por muitos amazônidas, como patauá, bacaba, macaúba, araçá-boi e da amêndoa castanha-do-brasil, chamaram atenção de produtores e visitantes. A responsável pela novidade é Bruna Buzô, doceira por paixão, que encontrou no aproveitamento das frutas regionais uma forma de valorizar o que muitas vezes apodrece no chão do quintal.
Bruna conta que começou o trabalho por amor às frutas que via cair próximas à sua casa, no bairro Terra Santa, em Porto Velho. “A ideia é apresentar sabores que o povo não conhece. Quando a pessoa vê um pirulito, desperta a curiosidade. Aí acaba experimentando e descobrindo o sabor da Amazônia”, explicou. Hoje, cupuaçu e açaí são os carros-chefe, mas ela trabalha com pelo menos dez sabores diferentes, todos de produção artesanal.

A receptividade do público tem sido grande. Alguns provam com desconfiança, outros pedem um de cada sabor, movidos pela memória afetiva de avós e pais que falavam das frutas do interior. “Tem quem faça careta, mas a maioria quer conhecer. Às vezes a pessoa lembra do sítio da família e leva o pirulito para apresentar aos filhos”, conta Bruna.
Além dos pirulitos, a doceira também produz barras de cupuaçu — inspiradas na goiabada tradicional —, porém mais úmidas e macias. Ela segue testando outras frutas para ampliar o catálogo. A produção é totalmente artesanal, feita em pequenos lotes para garantir o ponto correto do caramelo e evitar perda de sabor. Encomendas precisam ser feitas com dois dias de antecedência.

