Por Wanglézio Braga
A suspensão da norma que proibia a exportação de castanha em casca na Bolívia reacendeu tensões no setor produtivo do departamento de Pando, região que faz fronteira direta com o Acre. A decisão recente do governo boliviano provocou reação imediata de trabalhadores da indústria, sindicatos e produtores, que alertam para risco de desemprego em massa e enfraquecimento da cadeia local de beneficiamento da castanha naquela região.
Entidades como a Federação dos Trabalhadores de Castanha afirma que a liberação da exportação do produto ainda em estado primário pode comprometer o funcionamento das indústrias locais. Segundo o setor, permitir a saída da castanha sem processamento favorece a exportação de matéria-prima bruta, reduz o valor agregado e ameaça milhares de postos de trabalho ligados ao beneficiamento da amêndoa.

A preocupação ultrapassa as fronteiras bolivianas. O departamento de Pando mantém intensa relação comercial com o Acre, e parte significativa da castanha produzida na Bolívia acaba entrando em território brasileiro. Produtores e lideranças do setor relatam que muitas cargas atravessam a fronteira sem fiscalização efetiva, tanto do lado boliviano quanto do brasileiro, ampliando a informalidade e dificultando o controle sanitário, ambiental e tributário.
No campo, camponeses do Pando chegaram a bloquear rodovias em protesto contra a suspensão da Resolução 074/2022, que vetava a exportação da castanha em casca. As mobilizações foram encerradas após a Autoridade de Fiscalização e Controle Social das Florestas e Terras (ABT) anunciar a suspensão temporária da norma e a elaboração de um relatório técnico para reavaliar a política. Até a conclusão do estudo, trabalhadores e empresários seguem em alerta, temendo que a indefinição regulatória intensifique a saída irregular de castanha pela fronteira com o Acre e agrave os impactos econômicos na região.
