Por Wanglézio Braga
O Departamento de Pando, na Bolívia, que faz fronteira direta com o Brasil pelo Acre, entra no calendário eleitoral de 2026 com eleições marcadas para o dia 17 de março. O pleito vai escolher governador, representantes para o parlamento (Câmara e Assembleia Legislativa), além dos prefeitos municipais. O processo eleitoral em Pando desperta atenção estratégica no Acre, já que o departamento boliviano é um dos principais consumidores de produtos acreanos, especialmente da agricultura familiar, fortalecendo o intercâmbio econômico na fronteira Brasil–Bolívia.
Dos dois candidatos ao governo de Pando, dois possuem ligação direta com o setor do agronegócio. Entre eles está Ana Lúcia, do MTS, atual prefeita de Cobija, que trabalha com a exportação de frutas amazônicas e a industrialização do açaí. Também integra esse grupo Rodolfo Añez Domínguez, da FSUTCP, empresário com atuação na indústria e na exportação de café, atividade que dialoga diretamente com cadeias produtivas do Acre em especial do Alto Acre.

A disputa ainda conta com Régis German (UPP), que tenta a reeleição, além de Eva Luz Alvez (MDA), Luis Miguel (FRI), Gabriela Padilla (LIBRE), Roly Daniel (NGP) e Abelardo Puerta (MNR).
Numa análise rápida, a diversidade de perfis evidencia movimentação plural no debate eleitoral que deve analisar propostas de desenvolvimento econômico, sustentabilidade e integração regional, temas de interesse direto para os municípios acreanos de fronteira.
Vale lembrar que acompanhar o cenário político do departamento vizinho é considerado essencial por lideranças do Acre. As decisões tomadas em Pando influenciam o comércio fronteiriço, o escoamento da produção rural e o fortalecimento da integração regional, impactando produtores, comerciantes e consumidores dos dois lados da fronteira em especial na faixa do Alto Acre e parte do Baixo Acre.
