Por Wanglézio Braga / Foto: Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira (16), o presidente boliviano, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto, para reforçar a cooperação energética e comercial entre os países. Durante o encontro, Lula destacou que o Brasil pretende aumentar a importação de gás natural da Bolívia e incentivar novos investimentos na produção do insumo em território vizinho. O mandatário brasileiro reiterou que, diante das incertezas no cenário internacional, a Bolívia permanece como uma fonte estratégica e segura para o abastecimento do mercado nacional, consolidando-se como o maior fornecedor da região.
A reunião também serviu para discutir a recuperação do intercâmbio comercial, que sofreu uma queda drástica na última década, passando de US$ 5,5 bilhões em 2013 para US$ 2,6 bilhões em 2025. Para reverter esse quadro, o governo aposta na diversificação do comércio bilateral entre Brasil e Bolívia, focando em setores como biotecnologia, material genético e agronegócio, com o apoio técnico da Embrapa. O presidente boliviano Rodrigo Paz segue agora para São Paulo, onde participa de um fórum com 120 empresários para apresentar oportunidades de investimento aos brasileiros.
No campo da infraestrutura, o foco central é a construção da ponte internacional sobre o Rio Mamoré, que ligará Guajará-Mirim, em Rondônia, à localidade boliviana de Guayarámerin. O projeto, cujas obras devem ser iniciadas em 2027, faz parte das Rotas de Integração Sul-Americana e é considerado vital para o escoamento da produção regional. Segundo o governo, a estrutura facilitará o acesso aos portos do Chile e do Peru, permitindo que produtos brasileiros e bolivianos cheguem com mais facilidade aos mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico.
A integração logística, batizada como parte do Quadrante Rondon, Lula enfatizou que há forte disposição do setor privado para impulsionar parcerias em áreas que vão desde alimentos lácteos até a cana-de-açúcar. Com o fortalecimento da parceria energética e logística com a Bolívia, o Brasil busca não apenas garantir sua segurança de combustíveis, mas também retomar o protagonismo comercial na América do Sul, aproveitando a posição estratégica do país vizinho como elo entre os dois oceanos.
