Por Wanglézio Braga
A Associação Comercial e Empresarial de Tarauacá divulgou, nesta quarta-feira (28), uma nota pública de repúdio questionando a gestão do prefeito Rodrigo Damasceno sobre a liberação da entrada de carretas no perímetro urbano do município. Segundo os comerciantes, a Prefeitura adotou critérios diferentes para situações semelhantes, o que gerou revolta no setor empresarial local.
De acordo com a nota, enquanto comerciantes são frequentemente impedidos de trafegar e descarregar mercadorias na cidade, sob a justificativa de uma legislação considerada defasada, duas carretas carregadas com barcos teriam circulado livremente pelo centro urbano, sem sofrer qualquer tipo de restrição. A entidade questiona por que o procedimento exigido do comércio local — como descarregar no porto seco, realizar transbordo e contratar mão de obra — não foi aplicado neste caso.

A associação afirma que a postura da gestão municipal demonstra falta de coerência e desrespeito com o setor que mais contribui para a arrecadação de impostos e geração de empregos no município. Os comerciantes alertam que medidas desse tipo impactam diretamente o consumidor, provocando aumento de preços, desabastecimento e enfraquecimento da economia local.
Na avaliação da entidade, a política de restrições adotada pela Prefeitura tem provocado retrocessos no desenvolvimento de Tarauacá. “Uma cidade fechada não gera empregos e não fortalece a economia”, diz a nota, que cobra mais diálogo, sensatez e igualdade no tratamento entre o poder público e o setor produtivo.

ENTENDA O CASO
A circulação de carretas e veículos pesados em Tarauacá (AC) tem sido alvo de regras mais rígidas entre 2024 e 2025, adotadas pela Prefeitura com o argumento de preservar o asfalto do perímetro urbano e reforçar a segurança no trânsito, sobretudo durante o inverno amazônico, período de maior vulnerabilidade das vias. Pelos decretos municipais em vigor, veículos com peso superior a 9 toneladas estão proibidos de circular nas ruas da cidade, devendo realizar descarga em áreas específicas, como o porto seco, com transbordo da carga. As restrições, no entanto, passaram por momentos de liberação pontual, o que tem gerado questionamentos do setor comercial sobre critérios, fiscalização e isonomia na aplicação das normas.
A reportagem do Portal Acre Mais tentou contato com a prefeitura, mas até o momento não obtivemos retorno.

