Por Wanglézio Braga
No Dia Mundial do Feijão, celebrado em 10 de fevereiro, o Portal Acre Mais ouviu a Coopersonhos, cooperativa que se tornou referência na produção e comercialização de grãos no Acre, especialmente no município isolado de Marechal Thaumaturgo. Criada a partir da necessidade de organizar a compra e venda do feijão local, a cooperativa reúne hoje entre 100 e 120 cooperados, entre produtores rurais e extrativistas, todos ligados à agricultura familiar, cultivo de hortaliças e criação de pequenos animais. A experiência mostra que, mesmo em regiões de difícil acesso, é possível fortalecer a produção local com organização, parceria e valorização do produtor.
Segundo Jobson Menezes, diretor administrativo da Coopersonhos, em 2025 a cooperativa comercializou entre 10 e 11 toneladas de feijão, com a maior parte das vendas destinadas ao Governo Federal, principalmente por meio dos programas como o PAA. Ele destaca que o principal desafio ainda é a concorrência com o feijão vindo de fora, que chega mais barato ao mercado.
“O feijão significa renda, alimento e dignidade para o produtor rural. Nosso produto é 100% orgânico e carrega a força da agricultura familiar acreana”, afirma. Apesar das dificuldades, a cooperativa segue estimulando o cultivo local, mantendo viva uma tradição que já foi mais forte na região.

Para Jobson Menezes, fortalecer a cadeia produtiva do feijão é essencial para garantir renda no campo, segurança alimentar e desenvolvimento regional. “Investir no feijão é investir diretamente na agricultura familiar, na permanência do produtor na terra e na soberania alimentar”, reforça.
A Coopersonhos trabalha com até 29 variedades de feijão, diversidade que ganha destaque durante o tradicional festival realizado entre os meses de junho e julho. A variedade de sementes e o cultivo agroecológico colocam o Acre em posição estratégica na produção sustentável de grãos na Amazônia.

CURIOSIDADE
Pesquisas da Embrapa destacam que o feijão peruano, cultivado em Marechal Thaumaturgo, apresenta alto teor de proteína, reforçando seu valor nutricional e seu potencial de mercado, e um estudo inédito desenvolvido no Vale do Juruá, no Acre, revelou que os feijões-caupi das variedades Costela de Vaca e Manteiguinha Branco possuem teores proteicos de até 27%, superando os 20% da média das variedades encontradas em outras regiões do país e ficando acima da média mundial, resultado que integra a tese de doutorado “Qualidade nutricional e armazenamento de feijões do Juruá no Acre”, desenvolvida pela professora do Instituto Federal do Acre (Ifac), Guiomar Almeida Sousa, sob orientação do pesquisador da Embrapa Acre, Amauri Siviero, evidenciando o elevado valor nutricional dos grãos produzidos na região.
