Por Wanglézio Braga
Uma publicação feita pelo ex-governador do Acre, Tião Viana (PT), nas redes sociais nesta quarta-feira (14) gerou reação imediata no meio rural ao fazer uma comparação direta entre sistemas agroflorestais e a pecuária extensiva, setor que historicamente sustenta boa parte da economia acreana. Sem citar diretamente produtores ou entidades, o ex-gestor afirmou que “a pecuária extensiva e danosa não rende nem mil reais por hectare”, enquanto sistemas com cacau, açaí, cumaru, banana e mandioca poderiam alcançar rentabilidade de até R$ 40 mil por hectare.
“Das mais lindas soluções para a Amazônia Cacau, açaí, cumaru ( nos dois primeiros anos banana e mandioca [SAF]. Rentabilidade de 35 a 40 mil reais o hectare. Enquanto a pecuária extensiva e danosa não rende nem mil. Desafio maravilhoso”, escreveu.
Embora a defesa dos sistemas agroflorestais seja recorrente em debates ambientais e produtivos na Amazônia, o tom utilizado foi interpretado como uma crítica generalizada à pecuária, atividade responsável por milhares de empregos diretos e indiretos no Acre e base econômica de diversos municípios do interior. A comparação ignora avanços recentes da pecuária regional, como manejo sustentável, intensificação de pastagens e melhoria genética, que vêm elevando produtividade e renda no campo.
Os números citados por Tião carecem de contextualização técnica, já que sistemas agroflorestais exigem alto investimento inicial, assistência técnica contínua e mercados consolidados, realidade ainda distante para boa parte dos agricultores familiares. Já a pecuária, apesar dos desafios ambientais, segue sendo uma atividade de maior previsibilidade econômica, especialmente para pequenos e médios produtores.

