Por Wanglézio Braga
No município de Plácido de Castro, interior do Acre, a reta final da safra de castanha já reflete no bolso de produtores e atravessadores. A lata do produto está sendo comercializada entre R$ 60 e R$ 65 nos armazéns da cidade, valor considerado abaixo do pico registrado no início da colheita. O preço da castanha caiu no fim da safra na cidade, após ter alcançado patamares históricos nos primeiros meses de comercialização. Com isso, vem aí o momento do “corte” que pode mudar ainda mais o cenário.

O Portal Acre Mais conversou com o empresário Raige Melo, proprietário do Armazém Zé Boçal, que explicou a dinâmica do chamado “corte”, percentual descontado na negociação. “O corte é uma porcentagem da castanha que se desconta para saber a qualidade. Se der muitas latas boas, o produtor recebe em cima do valor fechado, já descontado esse percentual”, detalhou. Segundo ele, no começo da safra a lata chegou a ser vendida por até R$ 155. “Ela começou muito elevada. Ano passado iniciou em torno de R$ 35, mas dessa vez já abriu a R$ 70 e, em uma semana, pulou para R$ 155”, relatou.
De acordo com o empresário, a maior parte da castanha produzida na região é exportada para o Peru, que atua como principal comprador e redistribuidor do produto para outros mercados, inclusive fora do país. A movimentação beneficia diretamente trabalhadores da cadeia extrativista. No armazém, o número de colaboradores varia conforme a demanda. “Quando tem muito volume, chegamos a trabalhar com quatro ou cinco pessoas para carregar as carretas”, explicou.
Sobre a próxima safra, a expectativa ainda é incerta. Raige avalia que a lei da oferta e da procura influencia diretamente nos valores. “Quando tem pouca castanha, o preço sobe por causa da disputa. Quando tem muita, o valor cai. É a dinâmica do mercado”, afirmou.
