Por Wanglézio Braga
O presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais da Transacreana, José Augusto, criticou a implementação da rastreabilidade animal durante reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), realizada na última terça-feira (17).
Segundo ele, a medida vem sendo pressionada por organizações não governamentais e pode impactar diretamente os produtores rurais, especialmente aqueles que possuem algum tipo de pendência ambiental. “A rastreabilidade está sendo imposta no Brasil e pode tirar o poder de venda de muitos produtores, principalmente os que têm áreas embargadas ou apontamentos no Prodes”, afirmou.
José Augusto destacou que a realidade do Acre dificulta a adaptação a novas exigências, devido à falta de infraestrutura e de acesso adequado nas áreas rurais. “Nosso estado não tem malha de ramais suficiente para diversificar a produção. Por isso, muitos produtores optam pela criação de bezerros, que conseguem ser transportados caminhando até pontos de embarque”, explicou.
O dirigente também pediu a reavaliação do processo junto ao governo do estado, à Aleac e ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). Ele ressaltou que o prazo para implantação da rastreabilidade vai até 2033, defendendo um debate mais amplo sobre o tema. “Precisamos discutir com todos os envolvidos para que o produtor não seja prejudicado”, disse.
Por fim, José Augusto alertou para os riscos econômicos da medida. “Se o produtor não consegue crédito e ainda perde o direito de comercializar sua produção, a atividade se torna inviável. Isso pode trazer sérios impactos para a economia do estado”, concluiu.
