Por Wanglézio Braga
O rebanho de codornas no Acre é um dos menores entre as categorias de aves do estado, com apenas 9.526 cabeças em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa uma fração ínfima diante de outros tipos de aves e animais no estado, que, apesar de registrar crescimento geral no efetivo animal, concentra a maior parte de suas cabeças em bovinos e galinhas, que juntos somam a grande maioria do total de 8,3 milhões de animais no Acre.

Diante desse cenário, fica o questionamento: o que faz a produção de codorna ficar pequena no Acre? A resposta passa por uma série de outras perguntas que ainda carecem de debate mais amplo no setor rural: por que quase todos os insumos precisam vir de fora do estado, encarecendo a criação? Falta política pública específica para pequenos criadores de aves alternativas? A legislação urbana e ambiental dificulta a manutenção de granjas de codorna próximas aos centros consumidores? Há assistência técnica suficiente para quem deseja investir nesse tipo de produção?.
Para o produtor rural, a pequena escala de criação de codornas por aqui muitas vezes reflete desafios práticos e econômicos. Francisco Said, que criava codornas em Rio Branco, conta que chegou a manter um plantel entre 1.500 e 2.000 aves junto com o pai por cerca de três anos. “Era tranquilo, a gente tirava em média 1.200 a 1.300 ovos por dia, abastecia um pouco a região. Mas tivemos problemas com a logística e decidimos encerrar a parceria”, relata Said.

Um dos principais motivos que levou ao encerramento da atividade foi alimentação das aves — como milho, soja e núcleos —, frete e custos adicionais de transporte e tributos tornaram a manutenção da granja pouco competitiva em relação ao preço dos produtos adquiridos no mercado. Hoje, ele afirma que compra as caixas de ovos já prontas lá de fora, no Mato Grosso, porque “compensa mais”.
Francisco diz que “embora o clima do Acre seja favorável à criação de aves em geral”, a peculiaridade da cadeia produtiva da codorna, com necessidade de insumos externos e estrutura específica, limita a expansão da atividade no estado. “O Acre tem potencial e mercado, hoje vendo ovos pelos bares a dúzia a R$ 12 reais e ainda faço promoção comprando a mais. Mas, esse sistema só é possível porque não falta a matéria prima e não com criação das codornas”, comentou.
