Por Wanglézio Braga
Em entrevista ao Portal Acre Mais, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), Assuero Veronez, fez um alerta sobre os impactos da tarifa de 50% que os Estados Unidos pretendem aplicar sobre produtos brasileiros. Mesmo antes de entrar em vigor, no dia 1º de agosto, a medida já tem causado estragos na rotina do campo. “O mercado está estagnado, os frigoríficos estão parados, tem boi pronto para abate há mais de 80 dias e os produtores ainda esperam 30 dias para receber”, lamentou.
Assuero explica que a tensão política entre os dois países tem gerado expectativa negativa e prejudicado setores inteiros do agro. Produtos como carne bovina, café e soja, que lideram as exportações brasileiras, estão sofrendo com a queda nos preços. “Metade do café que o Brasil vende vai para os Estados Unidos. E a carne bovina também é item importante nesse comércio. O problema é que as coisas continuam: as despesas, os investimentos, os financiamentos nos bancos”, ressaltou.
O líder do setor afirma que o cenário exige atenção redobrada, pois o risco de inadimplência entre produtores cresce junto com a insegurança no campo. “A arroba do boi está em baixa, o café também, e a soja não foge disso. O agro não para, mas o dinheiro deixou de circular. Isso afeta diretamente a rentabilidade do negócio”, explicou.
Apesar do clima de incerteza, Assuero defende o diálogo como saída para o impasse. “Está na hora de todos se sentarem à mesa, dar as mãos e resolver. Mas, infelizmente, o que estamos vendo é o contrário: um endurecimento das posições políticas que não depende da gente, mas que afeta diretamente quem vive do trabalho no campo”, concluiu.
