Por Wanglézio Braga
Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Acre identificou perdas comerciais de até 15% na venda de bananas e plátanos no mercado varejista de Rio Branco. O estudo, apresentado pela bolsista Radyja Laressa Damião, sob orientação da pesquisadora Virgínia de Souza Álvares, analisou as condições de comercialização e os danos sofridos pelos frutos após a colheita. O levantamento foi realizado entre março e julho de 2026, em 50 estabelecimentos comerciais da capital, incluindo frutarias, mercearias, bancas de mercados públicos, feiras de bairro e supermercados. A pesquisa intitulada “Desafios pós-colheita na comercialização de plátano e banana no mercado atacadista de Rio Branco, Acre” foi apresentada nesta quarta-feira (28) durante o IX Seminário da Embrapa Acre de Iniciação Científica e Pós-Graduação.
Os resultados apontaram uma perda média estimada de 15% para a banana-prata, 13,1% para o plátano (popular banana comprida) e 5,8% para a banana-maçã. Segundo Radyja, as perdas estão relacionadas, entre outros fatores, ao transporte e ao manejo dos frutos, desde a saída da lavoura até a chegada aos pontos de distribuição e venda. Durante entrevista ao Portal Acre Mais, a bolsista explicou que amassamentos, compressões e outros danos prejudicam a aparência dos produtos e diminuem o interesse dos consumidores, levando ao descarte de parte da mercadoria e reduzindo a rentabilidade dos comerciantes.

O estudo também identificou práticas que podem contribuir para o aparecimento de danos. De acordo com o levantamento, 94% dos plátanos são recebidos em cachos, enquanto 88% dos demais tipos de banana chegam em caixas. O uso de caixas de madeira e a comercialização dos frutos em cachos podem favorecer avarias, conforme a pesquisa. Outro dado que chama a atenção é que a maioria dos estabelecimentos entrevistados não realiza procedimentos como lavagem (84%), resfriamento (88%) ou climatização (98%). Rio Branco responde por 31,7% dos frutos comercializados no varejo considerados no levantamento, enquanto Porto Acre representa 15,8%, evidenciando a participação dos municípios no abastecimento da capital.
Para Radyja, reduzir essas perdas exige cuidados em toda a cadeia produtiva, desde a colheita até a exposição dos frutos para venda. A adoção de técnicas adequadas de manuseio, melhores condições de transporte, higienização e refrigeração, quando apropriadas, pode ajudar a preservar a qualidade dos produtos e evitar desperdícios. A pesquisadora destaca que esses cuidados são importantes não apenas para melhorar a apresentação das bananas nas bancas e frutarias, mas também para ampliar as oportunidades de comercialização e garantir melhores resultados financeiros para produtores e comerciantes acreanos.

Confira os principais pontos da entrevista:
Portal Acre Mais: O que sua pesquisa trouxe de mais importante sobre as perdas pós-colheita de bananas e plátanos no Acre?
Radyja Laressa: A banana é muito importante para a agricultura familiar no Acre e está bastante presente no comércio, tanto atacadista quanto varejista. Avaliamos as perdas na Ceasa de Rio Branco, em feiras livres e frutarias. Analisamos fatores como o transporte e o manejo dos frutos, desde a lavoura até os entrepostos de distribuição. Concluímos que é importante adotar medidas para reduzir essas perdas, melhorar a comercialização e aumentar a rentabilidade dos produtores e atacadistas.
Portal Acre Mais: A pesquisa também mostra que Rio Branco recebe frutas de outros municípios, como Porto Acre. Qual é a importância de os produtores ficarem atentos aos cuidados após a colheita?
Radyja Laressa: É importante evitar danos aos frutos durante o transporte e nas etapas seguintes à colheita. Isso melhora a comercialização, tanto no atacado quanto no varejo, porque os consumidores procuram frutos com boa aparência. Quando o produtor adota medidas para evitar esses danos, contribui para que o produto tenha mais qualidade e melhores condições de venda.

Portal Acre Mais: Que tipos de danos foram identificados e como eles afetam a comercialização?
Radyja Laressa: Observamos danos como compressão e amassamento dos frutos. Quando isso acontece, muitos consumidores deixam de comprar esses produtos, o que provoca perdas para o comerciante. Sem conseguir vender os frutos, o estabelecimento acaba tendo prejuízo econômico e, em alguns casos, precisa descartá-los.
Portal Acre Mais: Que medidas podem ser adotadas para reduzir essas perdas e melhorar os resultados da cadeia produtiva?
Radyja Laressa: O ideal é adotar medidas adequadas de manejo para evitar danos aos frutos, tanto no transporte quanto durante a comercialização. Esses cuidados ajudam a preservar a qualidade das bananas, melhorar as condições de venda e aumentar a lucratividade no mercado local.
