Por Wanglézio Braga / Fotos: Arquivo Pessoal

No calor do Acre, atenção à água, sombra e ventilação ajuda a reduzir o estresse térmico das aves. A orientação é do médico-veterinário feijoense Israel Alencar, especialista em aves de corte e postura, que aproveitou o Dia das Aves, celebrado nesta segunda-feira (5), para alertar criadores sobre os cuidados necessários durante os períodos de altas temperaturas.
Segundo o especialista, em entrevista ao Portal Acre Mais pintinhos de até 14 dias precisam de temperaturas mais elevadas, entre 32 °C e 34 °C, mas a necessidade de calor diminui conforme a ave cresce. Na fase adulta, o conforto térmico fica próximo de 20 °C a 22 °C, uma condição difícil de alcançar naturalmente no Acre. Por isso, o produtor deve garantir sombra para as aves criadas ao ar livre e ventilação nos aviários, além de oferecer água fresca e potável constantemente. Em sistemas intensivos, Israel recomenda também galpões amplos e ventiladores para ajudar na dissipação do calor.
O excesso de calor provoca o chamado estresse térmico, que altera o comportamento e o funcionamento do organismo das aves. As galinhas passam a beber mais água, reduzem o consumo de ração, ficam ofegantes, abrem as asas e procuram locais mais frescos. Como não possuem glândulas sudoríparas, elas utilizam mecanismos como a respiração e a mudança de comportamento para tentar perder calor. Com isso, parte da energia que seria destinada ao ganho de peso e à produção acaba sendo utilizada para controlar a temperatura corporal, prejudicando o desempenho do plantel.
Além do conforto térmico, Israel chama atenção para a prevenção de doenças respiratórias, especialmente a coriza infecciosa, conhecida entre criadores pela chamada “ronqueira”. A vacinação e a biossegurança são medidas fundamentais para manter o aviário saudável durante o período quente e mais seco. Doenças como Newcastle e Marek também exigem atenção, embora muitas vezes os pintinhos adquiridos de incubatórios já sejam vacinados. Para o veterinário, o cuidado diário com o ambiente, a água, a ventilação e a vacinação pode evitar prejuízos maiores ao produtor. “A prevenção sempre é mais barata do que o tratamento”, resume.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA :
PORTAL ACRE MAIS – No Dia das Aves, qual a preocupação que o criador acreano deve ter com as aves, levando em consideração este período quente?
Essa é uma questão muito importante, principalmente na região em que a gente mora, a Região Norte, onde é muito quente. A literatura recomenda que as aves, na fase inicial, os pintinhos, até os 14 dias, tenham um conforto térmico em torno de 32 °C a 34 °C. Eles toleram bem até 38 °C, mas o conforto térmico deles está basicamente entre 30 °C e 32 °C.
Com o tempo, com a idade, o peso corporal vai aumentando, vai acontecendo também o empenamento, a muda da plumagem e a troca pelas penas. Então, essa temperatura vai diminuindo. Aos 30 dias de vida, fica mais ou menos entre 25 °C e 26 °C, até chegar à fase adulta, quando a temperatura de conforto térmico fica em torno de 20 °C a 22 °C.
Eu sei que aqui no Acre é muito difícil. Então, é importante, se você cria essas aves ao ar livre, garantir sombreamento para elas, com algum tipo de árvore. Se você cria essas aves de forma mais intensiva, em sistema confinado, é importante garantir ventiladores e um galpão bem amplo. Geralmente, no máximo, são 10 aves a cada 2 m².
Basicamente, é tentar amenizar a temperatura, porque é muito difícil a gente conseguir esses 22 °C, a não ser de forma controlada e artificial, com condicionador de ar. Então, não é todo mundo que vai ter um condicionador de ar para colocar nas suas aves. A melhor medida possível é essa: utilizar ventiladores, se tiver um galpão, tentar amenizar essas altas temperaturas e garantir água fresca para elas sempre, principalmente, de preferência, água potável. Também é importante garantir sombreamento se forem criadas em ambientes de forma extensiva.

PORTAL ACRE MAIS – As aves, em especial as galinhas, podem apresentar alterações comportamentais, fisiológicas e metabólicas que afetam seu desempenho por conta dessa onda de calor?
Com certeza. Elas vão sentir os efeitos que a gente denomina como estresse térmico, que vai alterar a fisiologia delas. A parte de conversão alimentar e outros aspectos fisiológicos vão ficar totalmente alterados pelo estresse térmico.
Vai diminuir o consumo de ração, com certeza, e elas vão procurar beber mais água também por conta disso. Vão procurar lugares mais frescos, abrir as asas e deitar para fazer a troca de calor, tentando dissipá-lo. Aquele famoso banho de areia também é uma forma que elas utilizam para fazer essa troca de calor, devido ao empenamento, já que são cobertas por penas.
Como elas não têm glândulas sudoríparas, ou seja, não suam, elas vão ficar ofegantes. Isso tudo vai alterar o metabolismo, porque o gasto energético que seria utilizado para deposição de carcaça e ganho de peso vai ser utilizado para que elas tentem fazer essa troca de calor e perder essa temperatura.
Então, o estresse térmico causado pelo grande aumento da temperatura é um fator preponderante que vai afetar diretamente o desempenho zootécnico das aves.

PORTAL ACRE MAIS – Qual a dica valiosa que os produtores acreanos não podem perder para manter seu aviário saudável e longe de doenças que ocorrem neste período no Acre?
A principal preocupação que o produtor tem que ter é com as doenças respiratórias, principalmente a coriza infecciosa. É aquela doença que apresenta sintomas que o produtor conhece bem como “ronqueira”, em que os olhos ficam fechados e a ave começa a apresentar problemas respiratórios.
Então, a vacina contra a coriza infecciosa é muito importante neste período. Quanto mais seco o ar, mais a umidade vai baixando, e isso é complicado para as aves. Eu acho que a principal forma de cuidar dessas aves é a prevenção, que é feita por meio da vacinação.
A vacina é de suma importância. É muito importante vacinar as aves contra essas doenças respiratórias, principalmente a coriza infecciosa. Temos outras doenças também, como Newcastle e Marek, que são doenças para as quais há vacinas determinadas pelo MAPA. Geralmente, se a pessoa adquirir os pintinhos de algum incubatório, as aves já vêm com essas vacinas.
São vacinas fáceis de aplicar, sendo algumas por via ocular. A vacina contra a coriza infecciosa é um pouco mais complexa, porque é intramuscular, ou seja, aplicada no peito ou na coxa. Mas é de suma importância para o controle, principalmente, da coriza infecciosa, que impacta diretamente na produção das aves e é de fácil contágio para as outras aves.
Então, o mais importante mesmo é cuidar do aviário, manter a sanidade, a biossegurança e a saúde dos animais. A prevenção sempre é mais barata do que o tratamento. Se possível, é importante vacinar as aves contra essas doenças que eu falei.
