Por Wanglézio Braga

A conquista do diploma de Agronomia pela Universidade Federal do Acre (UFAC) marcou um momento histórico para a Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima. Aos desafios comuns da graduação, o indígena Ageu Nascimento Puyanawa precisou enfrentar as dificuldades de adaptação ao ensino superior, os impactos da pandemia de Covid-19 e a greve na universidade. Na segunda-feira (06/07), durante a cerimônia de colação de grau realizada no Campus Floresta da UFAC, ele celebrou não apenas a conclusão do curso, mas também o fato de ser o primeiro integrante de sua família a conquistar um diploma universitário e talvez o primeiro indígena bacharel em engenharia agronômica do Acre.
Morador da Aldeia Puyanawa, onde vivem cerca de 700 indígenas, Ageu ingressou no curso em 2020. O início foi desafiador. Acostumado a uma realidade de ensino diferente da encontrada na universidade, ele conta que disciplinas da área de exatas exigiram muito esforço. Com o apoio de colegas e amigos, conseguiu superar as dificuldades e seguir em frente. A pandemia atrasou dois períodos da graduação e, posteriormente, a greve nas instituições federais prolongou ainda mais a formação. “Foi uma caminhada de muita luta, mas nunca pensei em desistir”, resume.
Filho da dona de casa Maria Alcilene e do agricultor José Gomes, Ageu afirma que a emoção de levar a família para a cerimônia de colação de grau ainda é difícil de descrever. “Parece que a ficha ainda não caiu. O sentimento é de gratidão à minha família, aos amigos, aos professores e a todas as pessoas que acreditaram em mim. Quero que essa conquista incentive outros indígenas a também buscarem uma formação superior”, afirma. Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) teve como tema “Manejo Agrícola e Mudanças Climáticas na Terra Indígena Puyanawa: Percepções Locais e Tendências Climáticas”, sob orientação do professor doutor Kleber Oliveira.

Agora formado, Ageu pretende seguir na vida acadêmica, ingressando em um mestrado. O objetivo é atuar na assistência técnica, participar de concursos públicos e levar conhecimento para fortalecer a agricultura dentro do território indígena, onde a mandioca é a principal cultura agrícola na região. Ele também acredita que o café pode se tornar uma nova alternativa de geração de renda para a comunidade. “Hoje me sinto mais preparado para contribuir com meu povo. Quero devolver tudo o que aprendi, ajudando no manejo agrícola familiar e incentivando outros jovens indígenas a acreditarem que esse sonho também é possível”. concluiu.
