Por Wanglézio Braga
Com o verão amazônico ganhando força e a previsão de um período seco que pode se estender até setembro ou outubro, os cafeicultores do Acre precisam redobrar a atenção com o manejo das lavouras. Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Celso Luis Bergo, a irrigação tem papel decisivo para garantir uma boa formação da safra, principalmente durante a florada do cafeeiro, fase em que a falta de água pode comprometer o pegamento das flores e, consequentemente, a produção de frutos.
Em entrevista ao Portal Acre Mais, Bergo explicou que, embora seja possível produzir café sem irrigação, o produtor acaba convivendo com menor produtividade e maior risco durante os meses de estiagem. De acordo com ele, o sistema de irrigação por gotejamento continua sendo a alternativa mais eficiente e acessível para propriedades de diferentes tamanhos. Em um experimento conduzido pela Embrapa, a área irrigada produziu cerca de 30 sacas a mais por hectare em comparação à lavoura sem irrigação. Considerando os preços atuais do café, esse ganho pode ser suficiente para amortizar boa parte do investimento necessário para implantar o sistema.

O pesquisador também ressaltou que a irrigação não beneficia apenas os chamados robustas amazônicos, variedade predominante no Acre. A tecnologia é igualmente importante para cultivos de conilon e de café arábica, sendo uma ferramenta capaz de proporcionar maior estabilidade produtiva em diferentes regiões cafeeiras. Apesar disso, ele alerta que a irrigação, sozinha, não faz milagres e precisa estar associada a um conjunto de boas práticas de manejo.
Para Celso Bergo, o sucesso da cafeicultura depende da soma de vários fatores. A escolha de clones de qualidade, a correção da acidez do solo com calcário, a adubação adequada, o controle das plantas invasoras e a condução correta da lavoura são medidas tão importantes quanto a irrigação. “Ela ajuda muito, mas não resolve tudo sozinha”, resume o pesquisador, ao defender que o produtor invista em um pacote tecnológico completo para alcançar altas produtividades e maior rentabilidade no campo.
