Por Wanglézio Braga
Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura mostram que a cadeia da citricultura no Acre tem enfrentado oscilações importantes nos últimos anos. O levantamento do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA) revela que a atividade já chegou a movimentar mais de R$ 17 milhões em 2017, mas apresenta queda significativa em 2026. Os números reforçam o alerta sobre a importância da produção de laranja para a agricultura acreana e os desafios enfrentados pelos produtores rurais.
De acordo com o levantamento, o VBPA da laranja no Acre saiu de R$ 17,3 milhões em 2017 para R$ 9,9 milhões em 2018. Nos anos seguintes houve leve recuperação, passando por R$ 11,1 milhões em 2019 e R$ 11,1 milhões em 2020. A partir de 2021, no entanto, os valores voltaram a cair, registrando R$ 9,5 milhões, R$ 8,4 milhões em 2022 e R$ 8,9 milhões em 2023. O melhor desempenho recente ocorreu em 2024, quando a produção de laranja voltou a ultrapassar a marca de R$ 11,9 milhões no estado.

Em 2025, o valor voltou a recuar para R$ 8,2 milhões e, em 2026, os dados parciais desde janeiro apontam R$ 5,2 milhões movimentados pela citricultura acreana. A variação no Valor Bruto da Produção reflete fatores como produtividade, preços pagos ao produtor, clima e condições de mercado. Esses elementos influenciam diretamente a renda do agricultor que depende da cultura para sustentar a propriedade.
Outro indicador analisado pelo Ministério da Agricultura é o Valor Bruto Nominal da Produção Agropecuária (VBNPA), que também demonstra variação ao longo do período. O indicador saiu de R$ 9,5 milhões em 2017, caiu para R$ 5,8 milhões em 2018 e voltou a crescer gradualmente até atingir R$ 11,2 milhões em 2024. Em 2025 houve retração para R$ 7,7 milhões e, em 2026, os números parciais já indicam cerca de R$ 4,9 milhões.
PRODUÇÃO LOCAL X NACIONAL
Produtores rurais ouvidos pelo Portal Acre Mais afirmam que há um cenário de comércio considerado desigual no mercado local de laranjas. Segundo eles, mesmo com produção regional e frutos de boa qualidade, muitas redes de supermercados acabam priorizando a compra de laranjas vindas da região Sul do país. Os agricultores destacam que o Acre possui áreas produtivas importantes, mas enfrentam dificuldades para competir, principalmente por causa da logística.
Em municípios do Baixo Acre, como Acrelândia e Plácido de Castro, produtores relatam que as condições de transporte e escoamento da produção ainda são um dos principais gargalos da citricultura acreana, especialmente em determinados períodos da safra, quando estradas e ramais ficam em situação mais difícil para o tráfego.
