Por Wanglézio Braga
Mudas de café chegaram de barco à comunidade Icuriã, localizada em uma área isolada dentro da floresta, em Assis Brasil, no interior do Acre, em uma operação que simboliza um novo ciclo de desenvolvimento sustentável para famílias extrativistas e pequenos produtores. A ação integra um projeto da prefeitura que busca diversificar a produção local e reduzir a dependência da pecuária. A iniciativa representa um marco para a agricultura familiar no coração da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Em entrevista ao Portal Acre Mais, o prefeito Jerry Correia destacou o valor histórico da comunidade, considerada uma das mais antigas formas de organização produtiva da região. Segundo ele, o Icuriã foi berço de cooperativismo ainda nas décadas de 1960 e 1970, com apoio do padre Paulino, reunindo extrativistas na produção de borracha e castanha. “É uma comunidade com uma história riquíssima, que deveria estar registrada nos livros, pela força da sua organização social e produtiva”, afirmou.

O transporte das mudas até o local tem sido um dos principais desafios. São cerca de 75 quilômetros de ramal em condições precárias durante o inverno amazônico, além de trechos feitos exclusivamente por via fluvial. Cada viagem pode levar até dois dias, com custo elevado, o que exige planejamento e logística complexa, explicou o prefeito. Atualmente, 11 produtores participam do projeto, que prevê o plantio inicial de 12 mil mudas de café, ampliando uma experiência que começou com apenas um agricultor.
A proposta também envolve reflorestamento produtivo, geração de renda e preservação ambiental. Além da implantação dos cafezais, a prefeitura planeja instalar um viveiro com capacidade para produzir até 200 mil mudas na própria comunidade, reduzindo custos logísticos. O projeto inclui ainda a participação de indígenas da etnia Manchineri, fortalecendo a produção sustentável dentro da floresta sem necessidade de desmatamento, consolidando um novo modelo econômico para a região.
