Por Wanglézio Braga
O superintendente do Ministério da Agricultura no Acre (Mapa), Paulo Trindade, confessou que vem falhando o acordo de cooperação entre Brasil e o Peru que permite a abertura de mercado para morangos, trazendo alívio no bolso, em especial, aos moradores da Amazônia e principalmente do Acre. A confissão ocorreu durante a Reunião de Planejamento para Ações de Fortalecimento do Comércio Exterior e Integração Internacional do Acre, realizada na segunda-feira (2).
Segundo Trindade, o principal entrave está na burocracia e na ausência de um laboratório de qualidade capaz de atestar a procedência e a segurança do produto importado. A falta de análises microbiológicas e físico-químicas exigidas pelos órgãos reguladores impede o avanço das importações, especialmente nas primeiras cargas. “As três primeiras cargas precisam ser analisadas (…) Foi o que mais pediram para mim nessa abertura. Se o mercado vai se transformar, não chegou nenhuma carga”, afirmou o superintendente, ao reconhecer o gargalo.
O acordo entre o Ministério da Agricultura do Brasil e o Midagri do Peru está formalizado há cerca de cinco meses, mas, até agora, os morangos ainda não chegaram às prateleiras acreanas nem impactaram os preços para o consumidor local.
Ainda sobre o tema, Trindade destacou a necessidade de fortalecer a confiança do setor privado nos órgãos públicos. “Precisamos fazer o papel de casa e pedir mais para que o empresário acredite nos órgãos”, disse. Para ele, a estrutura de fiscalização e controle é decisiva para que o Acre avance na integração internacional e consiga, de fato, aproveitar acordos já assinados.
Durante a reunião, o superintendente também falou sobre compras governamentais, o papel do porto seco e as dificuldades para manter servidores federais em cidades do interior, como Assis Brasil. Segundo ele, a falta de profissionais interessados em atuar no Vigiagro em regiões estratégicas limita o potencial exportador do estado.
