SIF 111 anos: Selo ainda está distante da pequena produção, especialmente no Acre

Da redação do Portal Acre Mais

Ao completar 111 anos de existência, nesta terça-feira (27), o Serviço de Inspeção Federal (SIF) carrega um peso histórico inegável na construção da credibilidade sanitária do Brasil. Criado ainda no início do século passado, o sistema foi decisivo para garantir padrões mínimos de qualidade e segurança aos produtos de origem animal. O problema é que a longevidade do SIF não foi acompanhada pela modernização do acesso ao selo, especialmente para pequenos e médios produtores.

Na prática, a burocracia para obter o selo do SIF segue sendo um dos maiores entraves da agropecuária brasileira, com impacto ainda mais severo na pecuária regional. Exigências técnicas complexas, processos lentos e custos elevados afastam produtores do sistema formal, empurrando parte da produção para a informalidade ou limitando o acesso a mercados mais amplos. O selo, que deveria ser uma ponte para o crescimento, acaba funcionando como um funil.

Histórico e essencial, SIF ainda é um obstáculo para a agropecuária regional

Embora o SIF atue em toda a cadeia produtiva — do abate à prateleira do supermercado — e seja coordenado por uma estrutura técnica robusta no Ministério da Agricultura, o modelo atual privilegia grandes frigoríficos e indústrias já consolidadas. Pequenas plantas, cooperativas e empreendimentos regionais encontram dificuldades para cumprir normas pensadas, muitas vezes, para outra escala de produção.

É verdade que o sistema avançou em tecnologia, capacitação de servidores e abertura de mercados internacionais ao longo das décadas. O selo brasileiro é respeitado fora do país, e isso se reflete na expansão das exportações. Mas internamente, a pergunta persiste: quem consegue, de fato, acessar esse reconhecimento? Sem ajustes regulatórios e políticas de inclusão produtiva, o SIF corre o risco de reforçar desigualdades dentro do próprio setor que deveria fortalecer.

Celebrar os 111 anos do SIF é legítimo. Ignorar seus gargalos, não. A defesa agropecuária precisa caminhar junto com a realidade do produtor regional, sob pena de transformar um instrumento de segurança alimentar em um obstáculo ao desenvolvimento econômico local.

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