Por Wanglézio Braga com informações da Ascom Embrapa/ – Foto: Guilherme Maragno
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, da Unicamp e da Universidade Federal do Paraná identificaram que as farinhas produzidas a partir das folhas de amoreira e de ora-pro-nóbis podem substituir parte das proteínas de origem animal usadas na alimentação de peixes como pacu e tilápia-do-Nilo. Os estudos apontam bom aproveitamento nutricional, reforço do sistema imunológico e menor impacto ambiental, fatores que colocam esses ingredientes como alternativa viável para a aquicultura sustentável.
Os testes foram conduzidos no laboratório de tecnologia em aquicultura da UFPR e avaliados em tese de doutorado de Patrícia da Silva Dias, no programa de Biologia Animal da Unicamp. As dietas incluíram até 24% de farinha de amoreira e 32% de ora-pro-nóbis. Segundo a pesquisadora, a primeira apresentou melhor digestão de gorduras, enquanto a segunda teve maior aproveitamento proteico, mantendo níveis adequados de energia e aminoácidos. A aposta é reduzir a dependência de ingredientes tradicionais, como a farinha de peixe e o farelo de soja.
Além do desempenho nutricional, os cientistas também mediram os efeitos dessas dietas na saúde dos animais. Pacus e tilápias alimentados com as novas formulações apresentaram maior resistência a infecções causadas por bactérias comuns na piscicultura, com índices de sobrevivência mais elevados. Para os pesquisadores, compostos bioativos presentes nas plantas podem ter contribuído para a melhora da resposta imunológica.
Os estudos ainda verificaram baixa toxicidade ambiental das farinhas, com resultados dentro dos padrões considerados seguros por agências internacionais. Por serem plantas que podem ser cultivadas em pequenas propriedades, a amoreira e a ora-pro-nóbis também representam uma oportunidade para reduzir custos de produção e fortalecer a agricultura familiar ligada à piscicultura.
