Por Wanglézio Braga
Na Agrotec, a Cooperativa Cuniã (CoopCuniã) tem chamado atenção do público ao apresentar produtos derivados do manejo sustentável do jacaré realizado na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, distante 123 km do centro urbano em Porto Velho. O trabalho envolve carne, couro e peças artesanais obtidas a partir de um controle populacional autorizado pelo ICMBio e Ibama.
O manejo começou após um acidente fatal envolvendo uma criança em 2004, o que levou pesquisadores a iniciarem estudos populacionais da espécie jacaré-açú e jacaré-tinga. Com os resultados, foi instituída a Instrução Normativa Federal, permitindo o abate sustentável e monitorado. Desde então, a cooperativa tem desenvolvido produtos com valor agregado, respeitando critérios ambientais e envolvendo diretamente as famílias da Resex.

Da carne do jacaré, surgem produtos que estão ganhando destaque nacional, como linguiça e kibe produzidos em parceria com a Prefeitura de Porto Velho, Governo de Rondônia e a empresa Rei do Pirarucu. Já o couro, exposto na feira, é comercializado para que cada cliente personalize como desejar — seja em peças decorativas, seja para a fabricação de acessórios. A cooperativa também avança na criação de biojoias feitas com dentes de jacaré, ampliando o portfólio e fortalecendo a economia da região.
Para o futuro, a CoopCuniã projeta instalar uma fábrica própria em Rondônia para processar o couro localmente, garantindo que toda a receita e os empregos permaneçam no estado. Segundo a cooperativa, o manejo é feito apenas com machos, respeitando o limite anual de 30% da espécie tinga e 70% da espécie açú, reafirmando o compromisso com a sustentabilidade e com a conservação da fauna amazônica.

COURO E BOTAS DE R$ 1.600
O couro, retirado dentro dos protocolos ambientais, é tratado como um material nobre e versátil. Hoje, é comercializado inteiro, permitindo que o comprador personalize como desejar, seja para decoração, carteiras, acessórios ou peças artesanais. Cada couro é vendido ao valor de R$ 1.600, preço único independentemente do tamanho.
Já as botas feitas do couro de jacaré vêm conquistando produtores, colecionadores e apreciadores do artesanato amazônico. Elas chamam atenção pela resistência, durabilidade e acabamento. Assim como o couro, as botas são comercializadas pelo mesmo valor, e representam um novo nicho de mercado que a cooperativa pretende ampliar com a futura instalação de uma fábrica em Rondônia, garantindo que a renda permaneça na região.

