Por Wanglézio Braga
Dois profissionais que atuam no Acre, os médicos veterinários Eduardo Mitke e Francisco Dantas, estão participando do Calf University 2026, evento internacional realizado entre os quarta-feira (22/07) e hoje (24/07), em Campinas (SP). A programação reúne especialistas do Brasil e do exterior para discutir os avanços na criação de bezerras e novilhas leiteiras, abordando temas como sanidade, manejo, bem-estar animal, nutrição e inovação tecnológica. O evento é considerado uma das principais imersões técnicas voltadas à pecuária leiteira na América Latina e reúne referências internacionais do setor.

Em entrevista ao Portal Acre Mais, Eduardo Mitke destacou que a participação no encontro representa uma oportunidade de conhecer técnicas que podem contribuir para o desenvolvimento da cadeia leiteira acreana. “Precisamos ver o que está sendo feito de novo, moderno e atual na atividade. Não dá para se acomodar. Estamos vendo técnicas de colostragem, sanidade, monitoramento de rebanho e formas de minimizar o estresse térmico, assuntos fundamentais para a nossa realidade”, afirmou.
Entre as palestras que mais chamaram sua atenção, Mitke destacou a apresentação sobre sanidade de bezerras, baseada em evidências científicas sobre o fornecimento correto do colostro logo após o nascimento. Segundo ele, a orientação é oferecer entre 8% e 10% do peso vivo da bezerra nas duas primeiras horas de vida e mais 4% a 5% do peso até 12 horas depois. O veterinário também ressaltou a importância das pesquisas voltadas ao estresse térmico, especialmente para estados de clima quente como o Acre. “Precisamos mensurar o impacto do calor no desenvolvimento dos animais. Essa é uma realidade da nossa região e as pesquisas caminham exatamente nessa direção”, explicou.
Para Eduardo Mitke, o futuro da pecuária leiteira no Acre depende de decisões estratégicas e da profissionalização do setor. “O Acre precisa decidir se quer ter a cadeia do leite como prioridade. Precisamos de indústrias, produtores profissionais e foco na qualidade. Leite não é quantidade de animais, é eficiência. Não faz sentido uma propriedade ordenhar 40 vacas para produzir apenas 100 ou 120 litros por dia. Esse modelo precisa evoluir”, concluiu.
